Você não é Coisa alguma, é areia!

Coisas que estão ali.
Passam despercebidas de nossos olhos, ouvidos e coração.
São esplêndidas, portadoras de perspectivas únicas e magnificas.
Trazem com si a possibilidade de mudar o universo.
Mas estão ali, camufladas.

Há um deserto caótico e impetuoso
Cujas areias do tempo desgastam e quebram o universo a sua vontade
Aprisionando tudo até que deixe de ser si mesmo e torne-se deserto também.

Quase tudo.
Coisas que estão ali,
Despercebidas por nós, pelas outras Coisas e pelo deserto em si.
Confundidas no meio de tanto amarelo, assim se protegem.
Camufladas nas areias desse que tenta engolir o mundo.

Olhamos e tudo que vemos é seco, áspero, árduo e sem paixão.
Só mais do mesmo em qualquer direção.
Mas ao horizonte se aproxima o caos.
Manifestado através de uma demonstração de força e fúria colossal
A tempestade de areia que faz cada partícula voar e colidir brutalmente
Arrebatando tudo em seu caminho.

Medo. Inquietação. Incerteza

O medo da tempestade é mais aterrador ainda que o da monotonia que antes existia.
O medo da mudança.
Quantas vidas inteiras encontrando apenas grãos de areia.

A incerteza, pois o deserto é complicado.
Chega um ponto que você pergunta se as Coisas realmente existem.
Você nunca viu uma, só areia.
Nem sei se sou areia, tempestade ou Coisa.

Anos já se passaram, ja vi alguns grãos de areia achando que fossem Coisas
Uma hora você cansa.
Desiste e já não procura mais encontrar uma daquelas Coisas.
Anos poderiam ter passado. Vidas…

Hoje, no meio da tempestade eu vi uma Coisa.
Não há palavras para descrever, mas era linda e doce.
Eu nunca tinha visto uma, não há um manual, sabe
É por isso que eu segurei ela, mesmo sem saber bem o que acontecerá.

Há uma Coisa que está aqui.
Não sei se sou areia, tempestade ou Coisa também.
Mas acho que ela gostou
Afinal se agora eu a vejo, é por que ela escolheu se mostrar.

Se mostrar, me mostrar que o pôr do sol é especialmente lindo no deserto.

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O início de uma jornada

Bem-vindo ao Desajustando

É como quando você está perdido no escuro, com frio e avista uma luz vinda de um vão. Uma névoa misteriosa circunda a abertura cuja você se aproxima passo atrás de passo. Seu coração palpitando como se fosse o pedal duplo de Krisiun, calafrios sobem por sua espinha, olhos estralados e ar pesado.

Eternos 32 passos adiante você finalmente aproxima seu olho do buraco. Antes de entender o que esta vendo é arrastado através do mesmo e encontra-se em meio a um turbilhão de luzes, sons, sensações e vozes de todos os tipos e de tipo nenhum. Cada instante é algo novo, variando de algo que é tão claro que não se pode ver, tão barulhento que não se pode ouvir, tão cheio de sentimentos que não se consegue sentir, passando por todo um infinito de possibilidades até chegar ao ponto onde é tão escuro que não se pode ver, tão silencioso que não se pode ouvir, tão vazio de sentimentos que sente-se tudo.

Você perdeu a noção do tempo; duvida? Então pense, desde que foi sugado por esse caos, se passaram instantes ou eternidades? Por falar nisso, você nem se quer entendeu como foi sugado por uma fenda onde seu polegar não passaria. Sejam instantes ou eternidades, nenhum seria tempo suficiente para entender.

A não ser que você ainda esteja lá. Olhando através da fenda com seu olho vidrado, o pedal duplo no peito, a espada de gelo dilacerando sua espinha em arrepios e você vislumbrando o infinito.

Mas quem é você? O corpo que está fenda, ou a consciência que está no caos?
Quem diabos é você? O corpo que está na tela, ou a consciência que está lendo aqui?

Desajustando…     1%