Fome

– O que é que você precisa para ser feliz? Tudo que você tem, tudo que lhe damos, o que é que te falta? – Perguntou aos gritos, indignado.

– Gostaria de saber a resposta, mas eu já não sei mais. – Disse em voz baixa.

Aquela discussão já estava acontecendo por um bom tempo, e um tom baixo na voz era algo que não acontecia, bem.. desde que ela começou.

– Não sei por que que a gente tenta. Não tem jeito, nunca vai mudar. Você vai se arrepender muito o dia em que a gente morrer. Dai não adianta chorar.

– Será que vocês vão se arrepender o dia em que eu morrer? –  Retrucou.

– Eu desisto, não tem como conversar com ele. Deixa a gente quieto, vá pra lá.

Era só uma discussão, mais uma. Mas ele ficou pensando naquela pergunta, procurando uma resposta. Ele já teve respostas para ela, muito tempo atras quando as coisas eram mais simples. Sim; respostas, no plural mesmo pois até isso muda. Não muda?

Felicidade já foi posar na casa do melhor e único amigo de infância. Jogar video-game, fazer lutinha com espadas de plástico, balançar em um cipó, brincar na casa da árvore ou na lama de um açude. Deitar para dormir, e ficar horas conversando, falando das descobertas sobre as coisas da vida, as meninas que gostavam, do que brincariam no dia seguinte. Tem anos que não se falam, e hoje já são estranhos.

Felicidade já foi ter encontrado o único amor da sua vida. Ter amado verdadeiramente, com uma história digna de livro de romance juvenil. As brincadeiras bobas durante os passeios inocentes pelos parques, os beijos ardentes, a tempestade de sentimentos, a felicidade que só o amor de verdade traz. Era perfeito e acabou. Já fazem anos que ela tem outro, e ele nem se importa.

Felicidade já foi finalmente ter amigos, amá-los de chegar a acreditar que seriam para sempre. Ó quanta felicidade. As risadas, as descobertas sobre as verdades do universo e da existência. Os rolês, as noites viradas conversando e vendo as estrelas, as histórias que levará para o resto da vida. Apenas nostalgia de uma vida que não existe mais.

Felicidade já foi se demitir daquele emprego cretino, aquilo sim foi felicidade. Vocês tinham que ver ele gritando de alegria. Libertador, mas hoje ele gosta de seu trabalho.

Felicidade já foi ter os cabelos longos. Não, aquilo era mais que felicidade. Era satisfação, realização, alegria pura. Se vocês pudessem sentir o que ele sentia toda vez que se olhava no espelho, era como se demitir daquele emprego cretino e a guria mais linda da cidade puxar papo com ele ao mesmo tempo. Toda vez que ele se via. Toda vez.

Felicidade já foi ir no show de sua banda favorita. Por si só isso já é uma grande felicidade, mas vocês não entendem o quão importante música é na vida dele. É uma necessidade fisiológica. Você já chorou de felicidade? Aquela banda fez seu último show.

Felicidade já foram muitas coisas no decorrer da vida dele. Será que é possível que uma pessoa seja tão intensa, tenha vivido experiências tão profundas, tenha visto, ouvido e sentido coisas que não mais existem, ao ponto de não encontrar felicidade no que restou?

É isso que vejo quando olho para ele, alguém de um apetite voraz pela vida, a quem migalhas não satisfazem. E enquanto estou aqui observando ele, ele está lá, escrevendo, lutando para encontrar uma resposta do que agora é minha dúvida também. Espero que ele não demore para voltar, estou com fome.

Anúncios

Insignificante

Seus olhos deturpam tudo que vês. Enxerga o mundo por um filtro que retira da existência a contemplação do excepcional, a ansiedade que traz o frio na barriga.

Eu sou a luz que racha os céus da sua mente.

A juíza da sentença pronta. Seus ouvidos já ouviram tudo antes mesmo que qualquer palavra tenha sido proferida. Deixa de experienciar a unicidade dos condenados, que seria capaz de lançar um arrepio que abre caminho através de sua espinha dorsal.

Eu sou o estrondo que estremece a terra estéril de sua imaginação.

Você toca apenas em cascas, tão podres quanto a sua. Nunca percebe que o toque dos espinhos é capaz de expurgar até mesmo futilidades como as coisas que você valoriza.

Meu é o fogo sem-fim que desce com a chuva e queima sua alma.

Crê ser feia a tempestade aquela que não vê a clareza que os relâmpagos trazem. Tem medo aquela que não entende o que os trovões tem a dizer. Queimará até deixar de ser, sem saber quem realmente é, aquela que não for capaz de se encontrar nos raios chamados de sinapses.

Glemselens Elv

Era muito jovem para lhe acompanhar por toda a vida. Não teria mudado, nem aprendido tudo que aprendi se não tivesse ido embora. Eu sinto saudades sim, e lembro com carinho.

Eu não lhe dei a devida explicação dos meus motivos quando eu lhe disse que partiria. A verdade é que na época nem mesmo eu sabia colocar em palavras tudo aquilo (Nem agora). Justifiquei como pude para não doer tanto, ou seja, doeu imensamente.

Escreveríamos um livro sobre nossa história depois que ela terminasse, porque segundo nós mesmos ela era perfeita. Eu já não lembro mais de muitas coisas, de muitos momentos. Eu já não lembro mais da sua voz. (Você lembra da minha?) É tão estranho o rosto de alguém vir em sua mente e você tentar imaginar como é o som da voz dessa pessoa e não conseguir.

Sim, ela acabou. De modo abrupto e sem explicação, mas eu lembro que de fato, nossa história foi perfeita. Um início, um meio e um fim. Assim como tudo na vida, um ciclo que se repete.

Eu sei que fiz isso de maneira estranha e totalmente inesperada, que mais parecia uma piada de primeiro de abril. Mas sinceramente, me conhecendo como só você me conhecia, se tivesse que imaginar como dizer adeus a mim seria, você esperava algo diferente de estranho, imprevisível e com toque de piada?

Desde a ultima vez que nos vimos muito aconteceu, afinal muito tempo se passou também. Eu gostaria tanto de poder contar tudo isso pra você. Tudo pelo que passei, as coisas que aprendi, as histórias que vivi, e as opiniões que mudaram, e como mudaram.

Não sei o que é que sou para você hoje, se é que sou qualquer coisa ainda. Pois posso muito bem ser apenas uma vaga lembrança ou nem isso. Mas sei exatamente o que você é para mim. A única que me viu amar. Presenciou algumas das poucas coisas que não mudaram em mim e que talvez nunca mais sejam presenciadas.

Digo essas palavras sem pretensão alguma. É que em momentos de vazio existencial eu gosto de escrever. Ou quando estou apaixonado, o que logo me leva ao primeiro motivo (risos).

No rio do esquecimento você é a âncora que me faz lembrar que um dia eu amei, obrigado.

A grande era do era uma vez

Os cavaleiros se apressam para trazer as novas ao rei
O bobo atravessa o mar em sapatos de madeira para voltar a corte
O sábio disse as palavras no grande salão
E de repente tudo brilhou

Os bardos do vale entoam a canção
Um homem deve sorrir
Sua majestade banhou as terras em hidromel
E as montanhas começam a abrir

A era dos heróis terminou
Bênçãos divinas derramam sobre o reino
Boas novas a todos o herdeiro da profecia chegou

Um

Umidade condensando no nariz
Respiração acelerada em uma noite fria
Atrasado para tudo
Chegou tarde, na vida

A luz dói em olhos a muito nas trevas
Medo do escuro
Pálpebras abertas, pupilas contraídas e sobrancelhas franzidas
Ver com clareza, mais dor ainda

Boneco voodoo da consciência
Descobrindo o papel durante a peça
Não sou o corpo
Nem sou eu

Quem sou?
Quem somos?
Todos atores de um mesmo personagem

O primeiro encontro com ela

Logo quando criança eu descobri sobre ela quando meus pais me contaram que tio Austin tinha ido para as estrelas. Fossem outros tempos nem mesmo uma criança acreditaria literalmente em tal resposta, mas aqueles eram os anos 70 e todos estavam empolgados com as promessas de exploração espacial quando os primeiros passos foram dados na lua.

Na época eu tinha quatro anos, quando tão jovens assim as pessoas tem um mundo inteiro pela frente para explorar. O primeiro dia na escola, o primeiro amigo, o primeiro tombo de bicicleta, o primeiro desenho, a primeira professora, a primeira pergunta que um adulto não sabe a resposta e, por consequência a primeira mentira, essas primeiras coisas que normalmente acontecem ainda quando criança.

Meu primo Erik, que era dois anos mais velho que eu, vinha todo domingo a minha casa para brincar comigo, mas depois que o tio Austin foi naquela viagem para as estrelas Erik parou de vir. Minha mãe me disse que era porque ele tinha pegado uma gripe e depois de alguns meses parei de perguntar.

Eu só fui entender o que aconteceu com tio Austin dois anos mais tarde, em um almoço de família enquanto todos diziam como eu era parecido com ele e me perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescesse. Eu tinha sete anos, e ainda lembrava e sentia muita falta do meu tio, logo respondi que queria ir para as estrelas, explorar o espaço, ser um astronauta junto com meu tio. Naquele instante Erik gritou comigo:

Cala a boca Arlo! Você não vai ser astronauta, e meu pai morreu por sua culpa, eu te odeio Arlo, eu te odeio!

Hoje eu percebo que naquela época Erik me odiava porque tio Austin tinha saído de casa para me visitar, e a viagem de 15 minutos dirigindo até minha casa, se tornou na viagem que o levou as estrelas e, eu chorei.

Você se lembra como foi a primeira vez que um ente querido seu morreu, e inventaram uma mentira sobre a morte para você? Todos acham que vão poupar a inocente criança, como se conseguissem esconder para sempre a morte dela. Mas o momento em que você percebe o que ela significa, muda sua vida. Não importa quando.

E desde então todos sabemos que um dia vamos nos encontrar com ela. Mas não sabemos exatamente quando, como ou onde, até que não tenhamos mais escapatória. E ai a gente cresce, estuda, trabalha e décadas se passam sem que paremos muito pra pensar nisso.

Eu apesar de saber que Austin não era um astronauta, ainda assim segui com meu sonho de ser um. Me dediquei a vida inteira a esse objetivo. Foram anos de escola, ensino médio, faculdade, pós, mestrado, doutorado, pós-doutorado, trabalho, pesquisa, treinamento, treinamento e treinamento.

Os anos setenta tinham sido um ponto alto na exploração espacial, parecia que da lua o próximo passo logo seria marte. Mas algo aconteceu, a corrida espacial terminou, os investimentos passaram a ser muito elevados para simplesmente explorar o espaço já que não havia mais o medo de uma guerra contra os russos. E meu sonho de explorar o desconhecido se reduziu as expectativas de algumas visitas a estação espacial para fazer reparos.

Dos meus trinta e sete anos, foram aproximadamente trinta e três me preparando para quê? Não para isso!

Mais dois anos se passaram, programas com relação a exploração e possível viagem com humanos para marte surgiram e vieram com todo o vapor. Uma nova era de exploração estava se aproximando, e eu estava quase nos meus quarenta implorando por algo assim ser a minha oportunidade de ser pioneiro em algo.

Mas todo esse projeto foi ofuscado pela descoberta de um novo buraco negro. Ele não tinha nada de especial, exceto pelo fato de podermos alcança-lo em uma viagem de quatro anos com nossa tecnologia de espaçonaves na época.

A comunidade científica entrou em euforia, grandes nomes da ciência de repente surgem com novas teorias e especulações. Os programas espaciais recebem pesados investimentos tanto públicos quanto privados. E um programa para obter dados sobre o buraco negro se forma.

Uma nave tripulada por três pessoas, iria se aproximar tanto quanto possível do horizonte de eventos, enviar sondas em direção a singularidade, e obter dados que talvez pudessem contribuir para a unificação das leis que regem o universo e finalmente a humanidade compreender como o universo surgiu e uma série de outras perguntas até então sem resposta.

A capitã Akahana Wong, o astrofísico Rudnik Zakharov, e eu engenheiro de voo Arlo Olson. Essa era a tripulação da espaçonave Thánatos. 48 longos meses de viagem através do espaço, com pouca chance de sucesso, carregando o peso da humanidade nas costas e susceptíveis a impactos com meteoritos, exposição a radiação, sofrendo os efeitos debilitantes da falta de gravidade e de um planeta ao qual chamamos de lar e sentiremos muita saudades.

O mais difícil não é a nostalgia, a saudades das coisas que deixamos nos esperando na terra. O pior é você não conseguir mais lembrar das coisas. Chega um ponto onde você não se lembra mais dos sons da terra, o som do mar, da chuva, de uma rua movimentada abarrotada de gente e carros, do som da voz daqueles que você deixou para trás. E não para apenas nos sons, você esquece da aparência das coisas, dos rostos, dos lugares, enfim.

Tanto tempo confinado assim, afeta muito a mente das pessoas. Animosidades acontecem por coisas bobas, afinal, convivência gera conflito. Ainda mais sob a pressão a qual estávamos.

Mas finalmente estávamos quase chegando, e sobrevivemos até aqui. Hoje faziam 44 meses a bordo dessa espaçonave, apenas mais quatro meses e chegaríamos lá. Mudaríamos o futuro da humanidade, uma nova era de ouro para nós.

Como engenheiro de voo fazia parte da minha rotina reparar a nave, e por vezes eu precisava fazer expedições ao exterior da nave para tal. Hoje era mais um dia desses. Peguei meu equipamento, verifiquei os cabos de segurança, o reparo deveria levar cerca de meia hora e eu estava com oxigênio para pouco mais de uma hora. Iniciei o processo de equalização da pressão, abri a porta e sai da nave. O problema era em um dos sensores vitais para o cálculo da nossa rota, o qual eu mesmo participei do projeto de desenvolvimento e deveria concertar sem dificuldade alguma.

Durante o planejamento para esta missão, foram previstos todos os possíveis problemas que poderíamos ter e tudo o que precisaríamos para resolve-los foi providenciado e carregado a bordo da nave. Então só precisaríamos contar com a sorte de não sermos atingidos por meteoritos e tudo deveria dar certo.

Porém não previmos um problema, Zhakarov. Eu ainda não sei ao certo o que houve, mas ao que tudo indica ele estava tendo alguns delírios e deve ter aberto a escotilha sem equalizar a pressurização. A nave em um instante virou pedaços de destruição pelo espaço.

E agora eu estou aqui, Arlo Olson aos 44 anos a deriva na escuridão com meia hora de oxigênio, meia hora de vida. Trinta minutos onde nada que eu possa fazer vai impedir que ao fim desse tempo eu me encontre com a morte. Tudo o que eu faça agora será em vão, pois não terá efeito algum sobre este destino que agora esta traçado.

Tudo que me resta é a minha mente. E agora estou mergulhando na escuridão do espaço e me afogando em pensamentos. De todas as formas de morrer que enfrentamos no nosso cotidiano na terra, de todas as formas de morrer que superei nesses quase quatro anos no espaço, isso me acontece.

Você pode pensar que meia hora não é muito tempo, mas quando tudo o que você tem pra fazer com essa meia hora é pensar, sozinho, flutuando na escuridão, é uma viagem e tanto para a mente.

E então eu me lembro de quando eu era criança, e soube dela pela primeira vez. E desde de então eu sabia que um dia ia me encontrar com ela. Mas não sabia exatamente quando, como ou onde.

Muitos de nós param de pensar e se preocupar com a morte, já que não sabemos quando ela virá. Até por que geralmente quando você percebe que vai morrer com certeza, são instantes antes da morte chegar de fato. Você só encontra ela segundos antes de ela te encontrar. Mas eu acabei de encontrar ela, e ela só vai me encontrar em trinta minutos.

Estou com medo. Toda minha existência se resumindo a isso. Tudo acabará naquele instante em meia hora. Dizem que quando você esta morrendo toda a sua vida passa diante de você em instantes. Instantes, o que eu devo fazer com o resto? Já pensei sobre tudo. Vida, morte, universo, criação, evolução, arrependimentos, pessoas que amo, escolhas, filosofia, sentimentos, memórias, futuros possíveis se isso não tivesse acontecendo, tudo. O que você faria nessa situação? O que passaria na sua mente nesses 30 minutos em que você sabe que vai morrer e nada pode ser feito?

E nesse silencio do vazio em que estou imerso, ouço ela falando comigo, dizendo as seguintes palavras:

Você sempre soube que eu iria te encontrar um dia, e poderia ser qualquer dia. Você não sabia com certeza quando esse dia seria, então você parou de se preocupar com isso. Você me esqueceu. E de repente você me viu, agora você tem certeza, eu estou a 30 minutos de você. Me encontrou antes de eu encontrar você, qual é a sensação disso?

Nada. Nem guerras, tempo, dinheiro, ouro ou mesmo se quer sua alma me satisfará. O que eu sinto ao faze-lo não é prazer e nem desprazer. Todos apenas fazemos nossos papéis, e o meu é levar você para outra viagem.

 

 

 

Montanha

Nesse instante o universo para. Uma breve pausa para recuperar o fôlego e escrever um pouco antes de continuar a jornada através do purgatório.

Pior que o laço do suicídio é o nó na garganta de tristeza. A profunda saudade de pessoas que você ama e que estão ao seu alcance, mas ainda assim tão distantes.

Eu era como aquele canário com a perna estranha, que vivia em uma gaiola na lavanderia daquela mesma casa. Desde que ele nasceu se ouvia dizer como ele era esperto, querido e alegre. E era mesmo. Mas toda vez que eles viam aquele canário, não importava o quê, sempre havia o comentário sobre a perna.

Veja só, aquele canário nasceu com a perna estranha, ela era deslocada para o lado. Ele aprendeu a viver daquele modo, sendo quem ele era, usando a perna de outras formas e seguindo sua rotina na gaiola.

Era evidente que mesmo sendo estranha aquela perna era essencial para ele. Algo poderia ter sido feito logo quando ele nasceu mas, não agora, tão tarde. Mas eles nunca o enxergaram por ele mesmo. Sempre olhavam para ele o comparando com os canários que tinham as pernas normais e não conseguiam o aceitar daquele modo.

Ouvi isso por muito tempo e então, eles finalmente executaram aquilo que queriam. Cortaram sua perna fora.

O coitado aguentou uns poucos dias, não mais que três, e morreu. Quando confrontados sobre sua atitude eles não estavam arrependidos, pelo contrário, estavam certos de que fizeram o melhor para ele, pois aquela perna era um erro e precisava ser corrigida. Preferiram vê-lo morto, do que feliz e com sua perna estranha.

Nesse momento eu percebi que era como o canário.

Deixei tudo para trás e abracei minha gaiola. Quase tudo. Tem algo que não se consegue abandonar e esquecer. O amor, esse permanece.

Me sinto à deriva em um infinito oceano de nostalgia.

A maior fazedora de nó é a saudade. Essa que existe por culpa do amor. Mas a falta de amor é a maior fazedora de laço.

Nada é para sempre, seja a montanha.